sábado , fevereiro 25 2017
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Crítica – E aí, Comeu?

E aí, Comeu? tenta nos fazer rir com suas piadinhas infames (conversas de bar), mas, cai na mesmice dos outros filmes estrelados por Bruno Mazzeo, e, embora seja um pouquinho melhor do que aquela porcaria chamada Cilada.com (2011), este aqui se transforma em um sonífero da metade para o final, inserindo drama de forma ultrajante e sem sentido.

Dirigido por Felipe Joffily (Ódiquê?, Muita Calma Nessa Hora), esse protótipo de comédia conta a história de três amigos (Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emílio Orciollo Netto) que vivem se reunindo num bar situado no Rio de Janeiro para bater aquele “papo cabeça” de como pegar mulher, reclamar das mesmas, contar vantagens e por fim, choramingar porque estão perdendo suas respectivas paixões (ou, querendo novas paixões). Baseado na peça homônima de Marcelo Rubens Paiva, o filme erra em praticamente tudo que insere na trama, seja no gênero (uma mistura de comédia escrachada com drama), passando pelo próprio elenco, atuando de forma genérica e constrangedora (Bruno Mazzeo que o diga ¬¬), terminando em uma história com péssima estruturação, falta de continuidade e clichês intermináveis. Pra falar a verdade o filme é um clichê ambulante, cena após cena nós sentimos aquele ar do tipo, “eu já vi isso antes” (déjà vú). Não posso mentir para vocês, o cansaço veio à tona e eu bocejei muito, até perdi a conta de quantas vezes eu fiz isso, e quantas vezes eu me espreguiçava porque a coisa estava preta por ali viu.

O problema do filme não está nem em suas piadas machistas, até porque eu gosto desse tipo de comédia escrachada, que nós nos acostumamos a chamar de “besteirol”. Como eu tentei explicar no parágrafo acima (e volto a repetir), o problema está na forma em como o filme e suas respectivas situações estão sendo expostas para o grande público. É bem verdade que a ideia de fazer um filme que mostra três amigos conversando babaquices numa mesa de bar renderia um filme interessante, com diálogos até legais, mas, o filme não fica só nisso, ele perde metade do seu tempo mostrando a vida pessoal desses rapazes e as tribulações que cada um tem: Um acha que é corno (o personagem de Marcos Palmeira), o segundo foi dispensado pela esposa (o personagem de Bruno Mazzeo), e, o terceiro e último é o solteirão intelectual (pegador de mulheres casadas e prostitutas) que tem vontade de arranjar uma namorada (o personagem de Emílio Orciollo Netto). É aí que entra o draminha esfarrapado misturado com a comédia escrachada cheia de palavrões, não dá pessoal, não dá. Se o diretor não conseguiu transpor essa mistura em seus filmes anteriores, não é agora que vai, principalmente quando há comparações com outros filmes do gênero (franquia American Pie, Uma Linda Mulher, Um Show de Vizinha, Trilogia Porky’s, entre muitos outros).

Confesso que nem tudo em E aí, Comeu? é ruim, algumas piadas até funcionam por causa do carisma de alguns atores, e o principal deles é sem sombra de dúvidas (por sinal, a única ¬¬), Marcos Palmeira. Os poucos monólogos que seu personagem faz são a graça do filme, e eu ri bastante com tais cenas, uma pena que não aproveitaram essa ideia de forma concreta para com todos os personagens, pois, o único que ultrapassa a 4ª parede (conversar com a platéia) é ele. De resto temos Orciollo Netto se perfazendo de Don Juan, paspalhão na metade do tempo; e Bruno Mazzeo… sem comentários. No grupo feminino temos a sempre competente Dira Paes (mulher de Marcos Palmeira no filme); a linda Tainá Muller, que pouco aparece como a ex-esposa do personagem de Mazzeo; Laura Neiva como a ninfeta de 17 anos (mais clichê do que isso impossível); e Juliana Schalch, como a prostituta que deixa o personagem de Orciollo Netto caidinho. Participações especiais de atores globais (Murilo Benício) e até cantores (Seu Jorge) imperam durante a sessão, então fiquem de olho pois eles aparecem bem rápido (fora Seu Jorge que aparece o filme inteiro como o garçom do barzinho).

E agora temos o veredito, se E aí, Comeu? não funciona nem como comédia e nem como drama, porque você, meu querido leitor vai sentir vontade de assistir a um filme tão besta que não sabe em qual gênero se integrar? Bom, a resposta é simples, para que possamos sentir vergonha alheia ao assistir uma produção tão furreca, com uma história boba e personagens idem. Agora se você riu horrores com os filmes anteriores do Felipe Joffily e do Bruno Mazzeo, com certeza vai amar este filme. E como eu fico nessa situação? Não estou nem aí, gaste seu dinheiro e divirta-se nos cinemas.

Nota: 4,0

Trailer Oficial:

Featurette:

Sobre Intolerável

Cinéfilo, amante da 7ª Arte, crítico de cinema, e diretor e produtor de alguns curtas-metragens! XD!
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